>> CONTINUAÇÃO <<
Eu
poderia me sentir perdida no meio de tanta confusão. O que aconteceu com essa
cidade? Será que estão todos mortos? Essas pessoas nas ruas o que se tornaram?
Estava pronta para encontrar meu irmão e
resolver tudo isso. A Candelária terá as respostas que eu preciso. Ou talvez
nem todas.
2. Candelária
Márcio se virou e desceu da janela com um salto e ao cair no chão
se rolou para não se machucar, logo se levantou esticou os braços para que eu
também pulasse. Respirei fundo, me apoiei com os braços na janela e me soltei
ao encontro dos braços dele.
- Conseguimos! – disse ele me olhando com um belo sorriso.
- Isso. Nós conseguimos! – Me soltei de seus braços e caminhei até
o centro da Igreja, olhando para todos os lados.
- Preciso encontrar meu irmão agora, finalmente cheguei aqui.
- Claro. Vamos dar uma olhada senhorita. – Olhei para ele
franzindo os lábios e depois de alguns breves segundos disse – É Sophia – O
que? – Meu nome. Sophia. – Ah, belo nome Sophia. – Ele sorriu e me estendeu a
mão para que finalmente pudéssemos nos cumprimentar corretamente.
- Me chamo Márcio Costa. Então, vamos procurar o seu irmão.
- É. Vamos soldado.
No mesmo momento que estávamos no meio do corredor
da Candelária começaram a surgir pessoas ao nosso redor apontando armas para
nós. Levantamos as mãos e ficamos ali parados
– Estão mordidos? – perguntou um homem negro
fumando um cigarro.
– Não! Estamos bem. A moça aqui só está procurando
o irmão dela. – Respondeu Márcio.
- Qual o nome do rapaz?
- Colin! O nome dele é Colin. Colin Fisher. – respondi.
- Colin? Você é a Sophia? – Disse aquele homem já bem próximo a
mim.
- Sim. Por favor, me deixem vê-lo. – Ele me estendeu a mão para se
apresentar
– Olá Sophia! Aguardávamos você. Chamo-me Barreto. – ele tinha um
aperto de mãos bem firme e me encarava de uma forma bem sutil.
- Tudo bem aqui pessoal. – ele fez um sinal com as mãos para que
aquelas pessoas abaixassem as armas. – Venham comigo. Eles estão lá dentro.
Finalmente iria encontrar o Colin e esclarecer tudo. Ele nos
encaminhou para uma sala fechada e esticou o braço esquerdo para frente.
- É logo ali naquela porta. Podem ir.
- Obrigada. – Respondi gentilmente a ele. Segui em direção àquela
porta a minha frente, girei a maçaneta levemente e a abri bem devagar. Nossa!
Aquela sala parecia o centro tecnológico mais avançado do mundo. Como
conseguiram fazer isto? Finalmente vou ter as minhas respostas e, nada mais vai
me deixar confusa. Preciso descobrir a origem deste caos.
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E por essa eu não esperava.
- Mãe! o que você está fazendo aqui? – ela me olhou e não
expressou nenhuma felicidade e nem um sorriso forçado.
- Sophia. – Me respondeu friamente. Logo depois veio o meu padrasto por
uma entrada ao lado daquela sala e a abraçou, somente com um braço sobre seus
ombros. – Olá, Sophia. Colin ela chegou! – gritou ele. Colin veio pela mesma
entrada em que meu padrasto havia saído e me lançou um forte e potente abraço.
- Sophia, ainda bem. Precisamos conversar. – Se afastou um pouco e
pousou as mãos sobre meus ombros. – O que aconteceu com você? – perguntou.
- Colin, eu não sei eu... Eu estou aqui para que você me explique
tudo. Há duas semanas o governo me mandou uma mensagem me dizendo para lhe
procurar dentro de 48 horas. Devido a uma vacina roubada eu... – levantou uma
sobrancelha. – O que? Espera... – olhou para meus pais e franziu o cenho.
- Está me dizendo que o governo te mandou uma mensagem?
- Sim. Meu trabalho. É bem normal eles fazerem isso no começo do
dia. – ele me pegou pela mão e me guiou até a tela de um computador.
- Olha como está lá fora Sophia. Você se lembra disso? Lembra-se
de algum nome chamado Tech?
- Não. Colin o que está acontecendo. Achei que estava ferido e vim
ajudá-lo!
- Tudo bem. Vou te explicar tudo agora mesmo. – apontou para uma
cadeira em frente ao computador para que eu me sentasse.
"Sophia, eu estava doente há uns meses atrás. Estava com uma
simples dor de cabeça e resolvi tomar um dos medicamentos que havia acabado de
chegar à farmácia onde trabalhava. Eram da empresa Tech. Pela propaganda
parecia uma maravilha, mas não era como havia pensado. Após dois dias de ter-me
alto medicado eu senti fortes dores no corpo e minha cabeça estava prestes a
explodir. Minha pele começou a descascar aos poucos e então, resolvi procurar
um médico especialista. Ele disse que nunca viu algo parecido antes e era como
uma daquelas doenças raras começando a querer brotar.
Ele me perguntou se eu havia tomado algum medicamento, respondi
que sim. Receitou-me alguns remédios pra ver se eu melhorava e depois de um
longo tratamento nada ainda havia mudado. Minha pele caia como uma cobra
trocava de pele e minha mulher estava ficando apavorada, tinha medo de se
aproximar de mim. Após quatro meses com aquela suposta doença que parecia
incurável, pesquisei na internet mais a fundo sobre isso e descobri que todas
as pessoas que também haviam tomado aquele remédio estavam com doenças de pele
e algumas haviam falecido. Então decidi invadir a empresa Tech-Nology e
descobrir o que estava acontecendo já que ninguém tomava uma atitude sobre
isto. Foi ai que as coisas pioraram.
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Consegui invadir a empresa com o cartão de uma amiga que tinha um
dos cargos mais altos da empresa e podia acessar qualquer informação e entrar
aonde quisesse.
Já nos laboratórios subterrâneos descobri uma
vacina que estava em desenvolvimento e vários outros experimentos. Era terrível
o que aquelas pessoas faziam lá dentro e vendiam para outros países. A Tech é
uma organização muito poderosa que se dá a união de uma empresa do Brasil com os Estados
Unidos. Onde constroem e inventam tecnologia de última geração e haviam acabado
de inaugurar sua marca farmacêutica com remédios também criados pelos próprios
cientistas. A Tech já era uma das empresas mais ricas e prósperas do mercado em
tecnologia e agora com sua própria farmácia e remédios exclusivos. Era uma
ideia incrível!
O marketing estava perfeito e atraindo muitas pessoas. Todos
estavam ansiosos para a chegada dos medicamentos que se diziam milagrosos.
Eu havia tomado uma substância que renova a pele, fazendo a velha
apodrecer e se soltar do corpo até que esteja totalmente sem vestígios de uma
pele não saudável. Depois de um tempo lendo as pesquisas daquele laboratório,
percebi que a minha possível doença incurável na verdade, é uma inovação
dermatológica que permite renovar sua pele, e que passaria assim que minha pele
com feridas fosse totalmente removida. Passei horas escondido lendo sobre
muitos experimentos que estavam sendo realizados naquele lugar, não imaginava
que era tão assustador. Então foi aí, que eu descobri uma incrível vacina que
estava em desenvolvimento. Chamava-se C3-corpus. A descrição daquela vacina
prometia trazer pessoas que já estavam mortas à no máximo 10 horas à vida. Isso
era incrível e ao mesmo tempo totalmente inapropriado, pois seria usada somente
para soldados em guerra com outros países para trazê-los de volta a vida. E as
pessoas que realmente poderiam precisar, não poderia ter esse direito de ter
uma nova chance, um novo futuro. Eu não poderia permitir que aquilo ficasse
escondido para eles usarem para suas próprias conquistas. E foi assim que eu
roubei toda pesquisa sobre aquela vacina e todos aqueles frascos milagrosos,
precisava contar ao mundo o que a Tech havia desenvolvido e que poderia salvar
muitas vidas. Mas um segurança me viu e me perseguiu por todo aquele
laboratório, ele chamava muitos reforços e solicitava o travamento das portas
imediatamente, mas graças a minha grande e fiel amiga com o seu cartão chefe eu
consegui fugir daquele lugar com duas malas e uma mochila cheias das pesquisas
e frascos daquela maravilhosa e perigosa evolução.
Ao chegar em casa, notei as janelas quebradas e a porta aberta.
Corri o mais depressa possível, minha casa estava destruída e com sangue por
toda parte. Minha mulher... Minha mulher estava morta e com uma maldita carta
na mão...
“Parabéns! Pelo jeito você conseguiu o que tanto queria. E agora
nós também conseguimos. Que pena, ela parecia tão gente boa e disse que estava
grávida numa tentativa frustrada de nos fazer parar.
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Saiba que vamos até o fim atrás de nossa vacina. É melhor que a
deixe amanhã ao por do sol no Aeroporto Santos Dumont antes do meu embarque
para os Estados Unidos ou todos que você ama morrerão.”
Ao amanhecer fui ao aeroporto, mas não para entregá-la ao
cientista que estava a desenvolvendo. Fui vingar a morte de minha esposa e
destruir aquela vacina por completo. Se nós não poderíamos tê-la, então eles
também não a teriam.
No aeroporto, fui reconhecido por dois seguranças do cientista e
numa velocidade além do normal consegui escapar e ir até o reservatório de água
daquele aeroporto, derramei todo o C3-corpus naquela água e segui até o
estacionamento, espalhei todo o combustível de alguns carros naquele lugar e
lancei fogo sobre eles. Um guarda do estacionamento me notou e correu atrás de
mim avisando toda a segurança do aeroporto, mas em alguns minutos aqueles
carros foram explodindo em sequencia colocando a parte leste do aeroporto em
chamas e causando um imenso desmoronamento.
Finalmente o sprinkler é acionado espalhando jatos
de água com C3-corpus por toda a parte. Ainda correndo rapidamente, coloquei
uma máscara de hóquei para tentar despistá-los e desesperadamente empurrava
todas as pessoas a minha frente derrubando algumas escada abaixo.
O Aeroporto se tornou o início do caos, enquanto eu só pensava em
vingança as pessoas ao redor estavam morrendo e o fogo se alastrava rapidamente
destruindo tudo. Eu procurava o João S. Ferreira, o cientista que mandou matar
a minha família por conta de uma pesquisa, eu sabia que ele ainda estaria no
estacionamento do lado leste onde eu havia começado o incêndio.
Quando avistei de longe a destruição total do estacionamento
percebi que ele já não poderia mais estar vivo, então fui procurar uma saída
daquele lugar e sair daquela área leste antes que desmoronasse sobre mim. E ao
voltar já havia muita gente morta espalhada e como já era de se esperar nada
dos bombeiros e policiais chegarem ao local.
Uma mulher já bastante pisoteada e um pouco queimada se
movimentava lentamente no chão e dava leves grunhidos. Como se estivesse
levando uma forte descarga elétrica por segundos. Aproximei-me para tentar
ajudá-la e ela me atacou ferozmente no rosto e graças a minha máscara de hóquei
não fiquei sem um pedaço da minha boca. Ela me atacava com uma força incrível e
tentava me agarrar desesperadamente como se eu fosse a última carne bovina do
mundo. Isso mesmo! Ela estava querendo me morder...
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Chutava ela com todas as minhas forças, mas nada parecia
impedi-la de me atacar, minutos depois todos que estavam caídos começaram a se
levantar lentamente, eu me virei e procurei sair daquele lugar o mais rápido
possível. O que aquela vacina havia feito? Ao invés de dar a vida de novo os transformava em canibais. Sedentos.
Eu fiquei com tanto ódio que não pensei no que eu havia feito.
Espalhei uma vacina em desenvolvimento, incendiei um aeroporto, e matei pessoas
sem nenhuma preocupação. O que eu havia me tornado? Nem pensei em tentar usar
aquela vacina na minha mulher, só pensava em vingança e destruição...
- Acho que por hoje chega Colin! – disse meu padrasto o interrompendo. – Tem razão, é melhor ir se deitar Sophia. Fizemos quartos do outro
lado. Peça ao Barreto que te acompanhe. Depois continuamos com mais calma, você precisa descansar.
Disse ele e, me levantando da cadeira me deu um
outro forte abraço e me soltou.
- Mas e aquela história de quem eu sou? A ligação?
- Ah, esqueça isso Sophia. Eu estava em choque com a morte da
minha mulher e não pensava em nada mais além de vingança.
- Não, não é só você que me fez esta pergunta. Diga-me Colin!
- Sophia, não tenho mais nada a dizer. Você está cansada, só
precisa de uma boa noite de sono. – Me levou até a porta desejando-me boa noite
e a trancou. Barreto veio em minha direção para me acompanhar até o quarto.
- Vamos Sophia.
- Espere só um segundo. – Respondi, então me encostei na porta
lentamente para tentar ouvir algo, eu estava desconfiada que ele não foi
totalmente sincero comigo. E ouvi...
- Por que não contou a verdade a ela? - disse meu padrasto, parecia
estar revoltado.
- Pai, ela não se lembra de nada. Vamos dar uma chance a ela vai
ser melhor assim.
- Seu idiota! Estamos falando da Sophia. Ela não é confiável! Se a
conhecemos bem, com certeza está mentindo para nós.
- Dê uma chance a ela pai, se ela se lembrar de alguma coisa
estamos todos ferrados mesmo.
- Você tem até amanhã para descobrir se ela está inventando tudo
isto ou eu mesmo vou matá-la. – Que meu padrasto me odiava eu já sabia, mas me
matar? Eu sabia que tinha algo de errado e se ninguém confia em mim o bastante
para me contar eu mesma vou descobrir.
- Chega de bancar a espiã. Vou acompanhá-la até o quarto. Tem um
banheiro logo em frente, pode utilizá-lo a vontade.
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- Tudo bem, Barreto. Não vou fazer novamente!
Ele me acompanhou até o outro lado da Candelária, onde havia um
enorme quarto branco com lindas decorações douradas e um pequeno banheiro ao
lado.
- É aqui. Até mais. – disse ele se retirando do quarto e fechando
a porta. Admirei aquele lugar por alguns minutos, joguei minha mochila no chão
e fui para o banho.
Ah, finalmente uma ducha quente e adorável que por sinal era a
única hora em que me achei uma pessoa normal em um mundo normal.
Fiquei debaixo daquela ducha por quase uma hora, estava deliciosa. Ao sair,
coloquei novamente minha roupa e me deitei naquela cama maravilhosa, mas não
conseguia dormir eu só conseguia pensar em tudo o que estava acontecendo e no
que poderia ter acontecido comigo. Quando finalmente consigo fechar os meus
olhos, ouço algumas batidas na porta.
- Pode entrar! – disse, era o Márcio. Ele estava ainda um pouco
molhado como se estivesse acabado de sair de um banho, estava sem a farda;
apenas com uma calça Jeans e uma bota preta.
- Oi. – Oi – respondi com um belo sorriso no rosto.
- Vim ver se está tudo bem.
- Está sim. Ainda estou um pouco confusa, mas fora isso...
- Confusa com o que? – me perguntou, ainda na porta com as mãos na
maçaneta, parecia um modelo de capa de revista.
- Pode entrar Márcio, você está me devendo uma explicação se
lembra?
- Claro. Estava esperando que me pedisse. – se aproximou e deitou
na cama ao meu lado. Encarou-me, dando um sorriso sádico por alguns segundos e
logo depois rimos um do outro sem motivos.
- Como consegue sorrir desse jeito pra mim? A cidade está um caos
e você sorri dessa forma pra mim. – perguntei-o dando um leve toque para trás
em seus ombros.
- Sorrindo de que forma? Esse é o meu sorriso normal.
- Que cara de pau! Esse deve ser o seu sorriso de más intenções.
- Claro que não. – respondeu ele meio envergonhado - Aliás esse
sorriso é novo. – Como assim novo? – ruborizo-me.
- Ele surgiu quando você apareceu. – respondeu.
Pensei: “não... Não.... Ele não disse isso. Ele só pode estar
brincando”.
Que droga! E agora? O que ele quer que eu diga?
Que eu prometo amá-lo e respeitá-lo até que a morte nos separe?!
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- Por que ficou vermelha? – disse ele sorrindo.
- Eu, não estou. O que você acha que pode acontecer? Só porque
você me salvou das garras perigosas e da fome insaciável por carne daquelas
coisas lá fora não quer dizer que tenho que dormir com você. (Sussurrei)
- Sophia não é nada disso. Eu também te devo uma massagem nos pés
esqueceu? – disse ele passando a mão no meu rosto e chegando cada vez mais
perto. Dei um leve sorriso mordendo o lábio.
- Isso não vai acontecer soldado... – ele me deu um leve beijo e
então separou nossos lábios.
– Estamos numa igreja sabia... – sussurrei.
Lançou-me outro beijo e se afastou mais lentamente.
- Nós vamos para o inferno! – murmurou e nós demos
uma risada e voltamos a nos olhar. Ele agarrou firme meu cabelo e me puxou ao
seu encontro colando seus lábios aos meus.
Com uma mão segurou meu braço esquerdo e me puxou para cima dele.
Não sabia se estava envolvida ou se estava só querendo esquecer de tudo o que
estivera acontecendo por algum tempo, para relaxar a cabeça de toda essa
confusão.
Ele passou a mão pelas minhas costas fortemente e trouxe-as para
frente desabotoando minha blusa. Mordi seu lábio inferior e puxei-o
delicadamente – É... tão... doce, - sussurrei.
Ele me beijava e tirava minha blusa lentamente. Me jogou para
baixo e numa rápida jogada ele já estava por cima de mim, beijava meu queixo de
um jeito inexplicável e passava lentamente para o meu pescoço. – como consegue
ficar tão... cheirosa e tão... doce, - sussurra.
Droga! O que foi isso? Ouvimos uma sessão de tiroteios e muitas
vozes.
- O que é isso? – perguntei, o empurrando e fechando a blusa.
- Não sei. Vamos lá ver o que é, alguém pode ter invadido o lugar.
Vamos! – me pegou pela mão e me guiou para o salão principal. Havia muita
fumaça e todos estavam gritando e correndo.
- Vem Sophia, por aqui. – me levou até um corredor para sairmos
daquela fumaça e procurar alguém para nos ajudar.
- Droga, o que está acontecendo! Droga! – Márcio me abraça
tentando me confortar. – Calma, nós vamos ficar bem!
- Eu já não tenho tanta certeza disto. (disse uma voz por trás de
nós, estava certa de que já tinha a ouvido antes). Márcio me soltou e nos
viramos lentamente
– Kyle? – disse, apavorada.
- Olá Sophia. Porque não nos avisou que daria um passeio? –
Respondeu-me, dando um sorriso sarcástico com uma arma apontada para nós – que
bom que fez um amigo. – murmurou.
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Não sabia exatamente que horas eram, mas estava
escurecendo e a Candelária estava com suas luzes brilhantes acesas refletindo
todo o dourado de sua arquitetura genial e, Kyle continuava com a arma apontada
para nós.
- Porque está aqui? – perguntei
me acolhendo nos braços de Márcio.
- Você fugiu sua filha da mãe! Por isso eu estou aqui.
- Quem é você? O que quer com ela? – Márcio pergunta.
- Se soltar ela soldado, não vamos precisar nos apresentar.
- Olha, eu... Eu encontrei o Colin. Ele está por aqui em algum
lugar. Não era ele que você queria?
- Não. Nós queríamos você Sophia. Sempre foi você!
- Então porque me permitiu que fugisse daquele lugar?
- Só queríamos saber se você ainda é esperta e inteligente como
disseram. E eles tinham razão. Você fugiu rápido demais Sophia.
- Mas o que é aquilo? – diz Márcio olhando atentamente para trás
de Kyle, mas não havia nada. Kyle olha para trás curiosamente e leva um
tremendo soco no queixo. Nossa! Nessa o Márcio caprichou.
Conseguiu enganá-lo facilmente. Pegou em minha mão e me carregou
com ele procurando algum lugar seguro onde poderíamos nos esconder.
- Por que não vamos embora daqui? – perguntei. –
Agora não dá Sophia, falta pouco tempo para o toque de recolher! – responde
Márcio.
- Que droga de toque de recolher é esse?! –
perguntei indignada. Sem resposta alguma sobre isso todo o tempo, sempre que alguém
vai me contar algo acontece uma desgraça. Meu irmão Colin, era minha única
esperança, mas como confiar nele se ele não confia em mim? Não sei se a
história que ele contou é verdadeira ou se é apenas mais uma trama armada para
me deixar confusa.
Quem está falando a verdade agora? O Márcio é o
único em quem eu confio neste momento. Preciso me afastar de tudo isso e ir
para algum lugar que seja realmente seguro para que possamos conversar.
- Sophia eu deveria ter te dado uma explicação
quando tivemos tempo. Agora só precisamos procurar um lugar seguro até que essa
confusão se acabe. – ele segurando em meu braço, me carregava sem parar por um
segundo por todos os cantos daquele lugar.
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– Chega! – gritei, separando nossas mãos.
– Sophia, temos que ir antes
que seu amigo nos encontre.
- Tá bom, mas vamos sair daqui. Agora! – ele veio até mim e
colocou as mãos sobre meus ombros os segurando e se aproximou.
- Sophia, e o seu irmão? Fique calma, por favor,
vamos ver se o encontramos em algum lugar, aí esperamos até amanhecer...
- Não Márcio! Colin sabe se
cuidar e, eu preciso de um tempo.
Ele me olhava fixamente nos olhos e franzia a
testa. Márcio parecia fazer de tudo para tentar me salvar, seus olhos brilhavam
quando me olhava e demonstrava preocupação com a minha decisão.
- Sophia, - ele me envolveu com
um doce abraço e deu-me um beijo suave na testa.
Continuou...
- Então vamos. – ele disse, me
pegando novamente pela mão. Ao avançarmos dando alguns passos.
- Se vão fugir, vão precisar de ajuda. – disse
Barreto saindo de trás de uma coluna da Candelária nos surpreendendo.
- Vamos sair por trás. Uma
mulher explodiu a porta da Igreja e com certeza já tem muitos deles aqui
dentro.
- Temos que ser muito cautelosos, viu? Está na hora
do toque de recolher! – disse Márcio novamente nos advertindo.
Barreto seguia na frente, nos
guiando. Márcio continuava a segurar minha mão com bastante força e com muito
medo nos olhos...
- É por aqui, venham rápido!
Seguimos Barreto por aquele
longo caminho, e chegamos a tal porta que dava a saída da Candelária.
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Não estava muito preocupada com aquelas criaturas
espalhadas por toda a cidade, mas é claro que com medo eu estava, e com muito
medo. Só que a única coisa que mais me preocupava naquele momento era a
verdade. Eu queria uma explicação de alguém que confiasse em mim.
Barreto abriu a porta lentamente e, saiu com muito
cuidado. Estávamos logo atrás dele. Barreto olhou para os dois lados e não viu
nada, então fez um sinal com os dedos para que saíssemos e aí fechamos a porta
com muito cuidado.
O cheiro lá fora estava insuportável, lixo
espalhados por todos os cantos e muito sangue nas ruas. Barreto seguiu para a
esquerda se escondendo ao lado de uma pilastra, havia muitos carros abandonados
na rua e seria uma boa encontrarmos um que ainda funcione como o que eu peguei mais
cedo para entrar na candelária.
- Está tudo muito quieto. Se
mantivermos assim conseguiremos sair daqui. – sussurrou Barreto.
- Talvez alguns destes carros funcionem ainda,
podemos procurar algum lugar isolado para ficarmos. – murmurei
Barreto balançou a cabeça em
sinal de “tudo bem” para a minha dica, e foi em direção a um Eco Sport vermelho
que estava próximo a calçada do outro lado da rua. Seguiu até lá com muito
cuidado e ao olhar para a esquerda ele avistou muitos deles aglomerados próximo
a um chafariz bem na frente da candelária. Ele colocou os dedos na boca em
sinal de silencio e chamou-nos até ele.
(Um forte barulho de sino toca constantemente)
- Ah! Que barulho é esse? –
grito assustada.
Os malditos ouviram, que droga! Eles têm um ótimo
reflexo a sons de pessoas desesperadas.
- Malditos! Vamos! Vamos! Tá na
hora do toque de recolher! Desgraçados! – disse Márcio furioso, me puxando até
o carro onde Barreto estava.
Eles estão correndo até nós... desesperados...
famintos! Barreto ainda não conseguiu ligar o carro... merda! Como eles são
rápidos!
>> Continua...
>> Continua...
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